O presidente do Esporte Clube Vitória, Fábio Mota, falou em entrevista ao Bnews na noite desta segunda-feira (28) sobre a siauação financeira do clube após a proibição das bets, as famosas casas de apostas no Brasil.
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O dirigente revelou que o clube poderá recorrer a venda de atletas para equilibrar as finanças do Rubro-Negro, visto que o acordo com a Bet 7K rescindido. Ainda de acordo com Fábio, o acordo entre a equipe e a empresa previa um vínculo até a reta final do ano de 2027.
O presidente também aproveitou a oportunidade para criticar a maneira como ocorreu a interrupção abrupta do contrato, o que não ocorreu somente com o Vitória, além da falta de um período para adaptação após a aplicação da medida.
“Em cima desse contrato e do valor a receber, o Vitória fez seu planejamento financeiro. O Vitória foi à Justiça do Trabalho, fez o acordo global para pagar as parcelas por mês. O Vitória foi à CNRD, fez o acordo para pagar as prestações da CNRD. Foi ao Governo Federal, parcelou o imposto para pagar o PERSE. Isso tudo calçado no contrato que ele tem com a bet, que ele recebe por mês para poder pagar”
“De uma hora para outra, você acorda no outro dia e esse contrato foi extinto. E, da forma que foi feito pelo Governo Federal, não permite que você receba nem a multa, nem a rescisão do contrato da bet. Então, eu acho que faltou uma transição. Isso foi feito na Premier League, eles deram um ano para adaptação.
Não estou defendendo as bets, repito. Eu acho que a forma como foi feita foi equivocada e virou terra arrasada para os clubes brasileiros, para o Vitória, que tinha esse contrato”
Com a quebra do vínculo, o presidente do Rubro-Negro afirmou que o prejuízo vai além da marca estampada na camisa, incluindo ainda valores relacionados às placas de publicidade no estádio. O mandatário estimou que o clube deixará de receber cerca de R$ 2,5 milhões por mês e alegou um rombo de R$ 45 mihões na próxima temporada.
“O rombo é muito maior do que o patrocínio da camisa. Os clubes brasileiros têm contratos de patrocínio das camisas e têm dinheiro das placas de estádio, aquelas placas que fazem as propagandas ao redor do jogo.
Como não recebemos o mês passado, são R$ 10 milhões. E, no ano que vem, um rombo de R$ 45 milhões, quando nós já tínhamos um contrato e esse dinheiro já estava computado”

Com isso, ao ser questionado sobre o que seria feito para equilibrar as contas, Fábio Mota afirmou que deverá investir na venda de atletas como uma das saídas mais viáveis para enfrentar a perda das receitas. O dirigente ainda confirmou a rescisão contratual com a bet, afirmando que a rescisão já foi assinada e o contrato está cancelado.
“Só resta para a gente agora vender ativo, vender jogador para tentar fechar o rombo e o buraco que ficou. Não tem outra alternativa. Vamos ter que vender atleta. Nós já temos aí R$ 15 milhões com R$ 10 milhões: R$ 25 milhões este ano, e R$ 45 milhões no ano que vem.
Então, só vai nos restar tentar vender atleta para fechar essa bomba. É uma medida provisória, que vai levar 45 dias. Então, a partir de agora, o Vitória já recebeu a rescisão ontem mesmo. A bet mandou a rescisão com o Vitória ontem mesmo. O contrato já está cancelado, tá? E a gente já começou a segunda-feira sem esse dinheiro para poder provisionar”
Medida do governo não prejudica somente ao Vitória
Não é somente o Esporte Clube Vitória que sai prejudicado após essa medida. Diversos outros clubes de todas as divisões do país sofreram um forte impacto por conta desta proibição. Dos 20 clubes que estão na primeira divisão, 14 deles tem contratos em vigor com uma casa de aposta, que estão sendo rompidos.
A Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última sexta-feira (25) estabelece que as empresas devem deixar o mercado, com prazo estabelecido até o dia 5 de outubro, pegando os clubes, campeoantatos e empresas de surpresa e causando um forte impacto financeiro.

De acordo com o relatório da consultoria Convocados, o mercado de apostas vai movimentar cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro em 2026. As bets ficaram no ano passado com R$ 37 bilhões de lucro, para um faturamento bruto de R$ 220 bi.
Campeonatos como o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil tem seus naming rights vendidos para casas de apostas. Em Salvador, a Arena Fonte Nova carrega em seu nome o nome de uma casa de apostas desde o ano de 2024.
