O segundo duelo da fase 16 avos de final desta Copa do Mundo foi disputado entre Brasil e Japão em Houston na tarde desta segunda-feira. Em jogo marcado pelo drama, a equipe brasileira viu o sonho ficar distante após sair perdendo na primeira etapa, mas nos 45 minutos finais, conseguiu superar a defesa muito bem postada da equipe japonesa e uma atuação bem sólida do goleiro Zion Suzuki, virando o marcador com um gol de Casemiro e outro de Gabriel Martinelli aos 50 minutos.
Primeiro tempo
O confronto iniciou nervoso, com as duas equipes disputando a posse de bola na região central do campo, mas o Brasil tendo a primeira oportunidade do jogo. Não demorou muito e a primeira chegada veio com apenas um minuto, em um lance que Rayan recebeu a bola no lado direito, encarou a marcação e após uma bela troca de passes, o Brasil conseguiu a primeira finalização que foi desviada na defesa e gerou um escanteio.
Os japoneses tentaram ter a posse de bola, mas não conseguiram passar por um Brasil que naquele momento apresentava um bom comportamento dentro das quatro linhas e chegava com certa facilidade nas proximidades da área.
Apostando na troca de passes e em jogadas de bola aérea, a seleção sul-americana começou a levar um certo perigo ao gol defendido por Zion Suzuki, mesmo com apenas uma finalização nos minutos iniciais. Depois de um tempo trocando passes na tentativa de encontrar um espaço na defesa japonesa, conseguindo aos nove minutos finalizar travado na zaga e na sequência, marcar presença dentro da área, sem finalizar ao gol.
O time do Japão respondeu aos 11 minutos em uma jogada trabalhada que chegou ao lado direito do ataque com uma invertida para a esquerda encontrando Keito Nakamura. O camisa 13 dominou e cruzou uma bola que foi afastada pela defesa brasileira.
Após essa oportunidade criada pelos asiáticos, o Brasil retornou ao campo de ataque tentando ter a bola para gerar situações de perigo, conseguindo aos 13 jogados uma boa finalização com Matheus Cunha na entrada da área chutando para mais uma defesa do goleiro japonês. Na cobrança de escanteio, os brasileiros levaram perigo em um cruzamento após troca de passes, mas a bola passou sem ninguém para interceptar e empurrar pro fundo das redes.
Com 15 minutos, a equipe comandada por Hajime Moryiaso já marcava uma presença maior no ataque, conseguindo uma falta muito perigosa, cobrada da entrada da área por Daichi Kamada em cima da barreira.
Depois das primeiras chegadas, o time japonês marcou uma presença maior no campo ofensivo, cercando em certo momento a área do Brasil que se defendeu bem e conseguiu recuperar a posse. A equipe comandada por Carlo Ancelotti trocava passes e realizava movimentações no setor de meio campo para tentar envolver os defensores adversários na tentativa de encontrar espaços para infiltração, enquanto o Japão esperava possíveis erros dos brasileiros para contra atacar em velocidade.
Depois do momento brasileiro, o Japão organizou um contragolpe em velocidade que resultou em um escanteio, cobrado aos 27 minutos no meio da área para o cabeceio do Ayase Ueda, que mandou por cima do gol.
Apesar do leve domínio brasileiro, foi o Japão quem abriu o placar aproveitando um erro de passe do Brasil no meio de campo aproveitado por Kaishu Sano que avançou em velocidade, passando por toda a marcação brasileira e finalizando no cantinho, sem chances para o goleiro Alisson, que se esticou todo mas não conseguiu fazer a defesa.
Com o gol sofrido, a seleção brasileira se atirou ao campo de ataque tentando o empate rapidamente. A tônica dos momentos finais da primeira etapa foi um verdadeiro ataque contra defesa, com a seleção brasileira tentando todas alternativas para chegar ao gol enquanto o Japão se defendia muito bem e anulava as investidas do adversário.
Mesmo com o domínio brasileiro, os japoneses tiveram um bom momento de ataque na reta final e o primeiro tempo foi encerrado com a seleção brasileira em desvantagem no placar, precisando de um bom vestiário para reverter a situação que parecia complicada.
Segundo tempo
A seleção brasileira retornou para a segunda etapa reforçado com a entrada de Endrick, que já conduziu um ataque na saída de bola, mas a bola terminou nas mãos do goleiro Zion Suzuki. Apesar do domínio brasileiro, o jogo ficou aberto com o Japão criando diversas oportunidade em contra ataques.
Com intensidade máxima, os brasileiros rondavam a área japonesa, encontrando o primeiro espaço aos seis minutos pelo lado direito em um cruzamento do Danilo encontrando Bruno Guimarães dentro da área. Apesar do bom cabeceio do camisa 8, o goleiro Zion Suzuki estava lá para mais uma grande defesa.
Jogando a bola na área a todo momento e cercando na busca por qualquer espaço, a equipe comandada por Carlo Ancelotti ficou a um mínimo detalhe de empatar aos oito. Na jogada, Douglas Santos recebeu um cruzamento de Rayan na segunda trave e escorou pro meio da área, encontrando Casemiro que como uma bala invadiu para cabecear a bola que foi parada por um dos zagueiros em cima da linha e afastada pelos companheiros de equipe. O Japão ainda chegou na área em um belo contra ataque na sequência, mas não levou muito perigo.
Os minutos do jogo iam passando e o drama brasileiro aumentando cada vez mais com as chances desperdiçadas, mas aos 10 minutos veio uma dose de alívio. Depois de alguns minutos rondando a área e realizando lançamentos equivocados para a área, o Brasil chegou ao empate em um cruzamento certeiro de Gabriel Magalhães, encontrando o Casemiro que subiu sozinho dentro da área para testar forte no gol, finalmente superando o forte sistema defensivo japonês e o goleiro Zion Suzuki que fazia uma grande atuação.
Motivados pelo gol marcado, os brasileiros retornaram ao ataque e mantiveram a pressão, ficando muito perto de marcar poucos minutos depois em uma jogada absurda de Vinícius Júnior. O camisa 7 recebeu a bola no lado esquerdo aos 12 minutos já improvisando uma caneta no marcador e saindo com liberdade para chegar nas proximidades da área. Vini ainda tirou um marcador com dois cortes desconcertantes e finalizou de biquinho com a perna esquerda uma bola que ainda desviou no goleiro japonês antes de bater em cheio na trave
Para responder o estilo de jogo extremamente agressivo da seleção brasileira, o time do Japão passou a apostar em contragolpes que levaram um certo perigo ao gol brasileiro. Em uma dessas oportunidades, a equipe conseguiu trabalhar a bola com Daizen Maeda recebendo no setor de meio campo, sustentando a marcação e acertando um belo passe no entrelinhas para encontrar Ayase Ueda avançando em velocidade nas costas da zaga, recebendo a bola pelo lado esquerdo e finalizando para uma defesa de Alisson em dois tempos.
Depois da pausa para hidratação, o jogo passou a ficar um pouco mais aberto, com o Japão trabalhando mais a bola, porém parando em uma zaga brasileira muito forte. O time do Brasil ficou muito perto de virar o placar em uma falta cobrada por Rayan que foi desviada pela defesa, passando muito perto do travessão.
O duelo ficou com esse exato cenário do Brasil cercando na tentativa de encontrar espaços a qualquer custo e o Japão tentando contra atacar, mas sem sucesso até os minutos finais. Quando parecia que o confronto estava encaminhado para uma prorrogação, o Brasil conseguiu encaixar uma triangulação pelo lado direito que foi parada pela defesa dentro da área, mas na saída, o defensor vacilou e perdeu a posse em mais um dos bons gatilhos de pressão após a perda de Rayan. Dentro da área, o camisa 26 do Brasil passou para Bruno Guimarães que ao invés de finalizar, acertou um belo passe para Gabriel Martinelli de cara pro gol, precisando apenas de um toque para tirar o goleiro e contar com um leve desvio na trave para virar o placar.
O gol histórico de Martinelli no minuto final deu ao Brasil a classificação para as oitavas de final do torneio, em um jogo sofrido, decidido no detalhe contra uma forte e organizada equipe japonesa. Agora, a seleção canarinho se prepara para enfrentar na próxima fase o vencedor do duelo entre Costa do Marfim e Noruega.
Ficha técnica
Data e horário da partida: 29 de junho de 2026, às 14h (Brasília);
Local: Estádio de Houston, em Houston, Estados Unidos;
Árbitro principal: Maurizio Mariani (ITA), Casemiro (BRA);
Assistentes: Daniele Bindoni e Alberto Tegoni (ITA);
VAR: Marco Di Bello (ITA);
Cartões vermelhos: Sem cartões vermelhos;
Gols da partida: Kaishu Sano (JAP) Casemiro (BRA), Gabriel Martinelli (BRA);
Escalações das equipes:
Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Bruno Guimarães (Danilo Santos), Casemiro (Fabinho) e Lucas Paquetá (Endrick); Rayan, Matheus Cunha (Gabriel Martinelli) e Vinícius Júnior. Técnico: Carlo Ancelotti.
Japão: Zion Suzuki; Takehiro Tomiyasu, Shogo Taniguchi e Hiroki Itō; Ritsu Doan (Yukinari Sugawara), Kaishu Sano, Daichi Kamada (Ao Tanaka) e Keito Nakamura (Junnosuke Suzuki); Junya Ito (Shuto Machino), Ayase Ueda e Daizen Maeda (Koki Ogawa). Técnico: Hajime Moryiaso.
Estatísticas da partida
Equipes: Brasil – Japão
Posse de Bola: 69% – 31%
Finalizações: 19 – 5
Finalizações no gol: 7 – 2
Defesas do goleiro: 1 – 4
Escanteios: 6 – 2
Faltas cometidas: 4 – 13
Cartões amarelos: 2 – 3
Cartões Vermelhos: 0 – 0
Chaveamento (oitavas de final)
Paraguai ou Alemanha x França ou Suécia
Canadá x Holanda ou Marrocos
Portugal ou Croácia x Espanha ou Áustria
Estados Unidos ou Bósnia x Bélgica ou Senegal
Brasil x Costa do Marfim ou Noruega
México ou Equador x Inglaterra ou RD Congo
Argentina ou Cabo Verde x Austrália ou Egito
Suíça ou Argélia x Colômbia ou Gana
Próxima partida: Alemanha x Paraguai.
