O Esporte Clube Bahia se pronunciou oficialmente nesta segunda-feira (24) sobre os ocorridos de violência registrados momentos antes do clássico com o Vitória neste domingo (23).
Através de uma nota compartilhada nas redes sociais, o clube lamentou profundamente as mortes dos torcedores e condenou os confrontos que tem envolvimento de torcidas organizadas. Confira na íntegra a notaa do Esporte Clube Bahia:
“O Esporte Clube Bahia SAF lamenta profundamente e repudia com veemência os episódios de violência registrados antes do clássico deste domingo (23), que resultaram na morte de torcedores.
Não há rivalidade que justifique. É inadmissível, é revoltante e é insustentável.
O futebol jamais pode ser utilizado como justificativa para atos criminosos. Futebol é saúde, integração e lazer. Não é terror e morte. Não podemos normalizar que sair de casa para torcer torne-se algo perigoso.
Nos solidarizamos com as vítimas e seus familiares e esperamos das autoridades uma investigação profunda e a punição rigorosa dos responsáveis.
O Bahia seguirá defendendo o futebol como ferramenta de inclusão e socialização, onde a vida esteja sempre em primeiro lugar.”
Entre as vítimas, estão José Alexandre de Souza Borges, jovem de 28 anos, que foi morto de forma violenta na Via Regional, uma das principais vias de acesso para o Barradão, poucas horas antes do clássico. Além dele, Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, foi baleado também na Via Regional no momento em que caminhava com amigos.

Segundo relatos de familiares do jovem ao G1, Lucas estava indo até o bairro de Castelo Branco, onde participaria de uma feijoada em um encontro da Torcida Bamor. Ele teria ido a um ponto do bairro para visualizar a confusão protagonizada pela Torcida Uniformizada Os Imbatíveis. O jovem foi baleado e chegou a ser socorrido, mas não resistiu e acabou falecendo.
Imagens feitas por moradores e pessoas que passavam pelo local do ocorrido mostram toda a correria, a perseguição e os disparos de arma de fogo na região.
Torcida organizada do Vitória também se pronuncia
Em nota publicada nas redes sociais da torcida e assinada pelo presidente Gabriel Oliveira, a Torcida Uniformizada Os Imbatíveis lamentou o episódio e afirmou que havia informado de maneira prévia ao Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos (BEPE) sobre os locais de concentração de seus integrantes. Confira a nota na íntegra:
“Lamento profundamente a morte ocorrida ontem, antes do clássico. Quando morre um membro de uma torcida organizada, todas sangram. É uma perda que nos entristece e nos atinge profundamente.
Na quinta-feira, por iniciativa própria, informei ao Bepe todas as nossas concentrações nos bairros, com os horários e itinerários de todos os nossos comandos, justamente com o objetivo de colaborar com a segurança e tentar evitar possíveis confrontos.
Neste momento de dor, solidarizo-me com os familiares e amigos da vítima e desejo força a todos que estão sofrendo com essa perda. Toda vida perdida é motivo de tristeza e reflexão.
Esperamos que os fatos sejam devidamente apurados e que as autoridades adotem as medidas necessárias para que episódios como esse não voltem a acontecer. O futebol deve ser espaço de paixão, festa e rivalidade, mas nunca de vidas perdidas.
Que deus conforte o coração dos familiares e amigos e dê força a todos neste momento tão difícil”.
Também por meio de nota oficial, o Ministério Público da Bahia (MP-BA), condenou o ocorrido e lamentou as mortes, afirmando que segue acompanhando as investigações e irá adotar as medidas necessárias para identificação e responsabilização dos supostos torcedores envolvidos. Confira aqui a nota do MP-BA.

A Polícia Militar ainda informou que após os ataques, os suspeitos prosseguiram pela Via Regional portando armas brancas, explosivos e demais objetos que poderiam colocar em risco a integridade física de outras pessoas. Policiais encontraram cerca de 60 pessoas nas proximidades do acesso à Avenida 29 de Março. Seis homens foram detidos com artefatos explosivos, armas brancas e outros objetos, além de aparentes vestígios de sangue em suas roupas. O grupo foi levado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A PM afirmou que segue investigando o caso, para identificar os demais suspeitos pelas duas mortes e esclarecer a motivação dos crimes. Os demais abortados foram conduzidos à Central de Flagrantes e foi registrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pelos atos referente ao vandalismo.
