O julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) referente aos acontecimentos no clássico Ba-Vi do último final de semana ficou marcado por um momento inusitado. Pela segunda vez neste ano foi exibido um áudio falso do Árbitro de Vídeo (VAR).
O momento do áudio é referente à pequena confusão que ocorreu após o segundo gol do Tricolor, quando Jean Lucas acabou tirando a camisa na comemoração e mostrando para os torcedores do Vitória. Com isso, Marinho, Cacá e o goleiro Lucas Arcanjo foram tirar satisfação, mas o camisa 7 foi quem tirou a peça das mãos do adversário, enquanto o zagueiro tentou rasgar o uniforme.

Anteriormente, ocorreu algo parecido no julgamento de Victor Gabriel, defensor do Internacional, após a expulsão por uma entrada forte em um atleta do Cruzeiro. Na ocasião, o departamento jurídico do clube gaúcho utilizou um áudio falso da cabine do VAR durante a defesa do zagueiro.
Dessa vez, o conteúto de tom humorístico que foi produzido pela mesma página aparece novamente, agora no julgamento da dupla Ba-Vi. A prova foi inserida na denúncia pela procuradoria e o link do conteúdo constou na denúncia. Confira o que diz o áudio:
“Vai dar confusão, Cláudio.
Entendendo.
Vai dar confusão. Marinho pegou uma camiseta e o Cacá tá tentando rasgar.
Não, não rasgue. Pera aí, pera aí, pera aí, Cacá, vem cá.
Danificando o material esportivo.
Não, não, não é pra rasgar, ok? Respeita o manto. Vai pra lá, vai pra lá, vai pra lá.
Não, cuide do Cacá-
É que, é que…
Cuida do Cacá que eu te passo os nomes.
Cacá, vem cá. Ok, eu estou te ouvindo, tá bom?
Só devolva o material esportivo, Cláudio.
Perfeito, perfeito.
Devolver o material.
Pera aí, tó. Pega o manto.
Isso.
Beleza.
Eu te passo os nomes.
OK.
Eu tô vendo aqui, Cláudio.
Camila, eu estou te ouvindo. Ok, eu queria expulsar alguém do Vitória, só.
O goleiro tá chegando e tá o Marinho também por trás.
Ok, eu queria expulsar só do Vitória.
O Marinho agride o Jamites, Cláudio.
É, ok.
Se quiser expulsar o Marinho…
Não, é que se eu expulsar do Vitória, eu vou ter que expulsar da Bahia, eu não quero, ok?
Tá, então cê controla aí no meio, porque eu não vou vender.
Tá bem.
Controla aí.
Eu vou deixar, ok? Aqui, aqui a gestão é tranquila. Vem cá, vem cá. Vem cá, eu não quero porrinha, ok? Vai pra lá, vai pra lá. Eu não quero porrinha, eu não quero porrinha aqui. Cade? Vai pra lá, cadê o senhor?
Acaba o jogo, Cláudio.
Hã? Tô ouvindo. Acabar o jogo? Pra quê? Não, não precisa. Vem cá, vem cá.
É um cartão pra cada e acaba o jogo.
Vem o Renato Gaúcho-
Renato Gaúcho entrando na confusão ali com o…
Perdão.
É o argentino, é o Mingo.
O Mingo? Ok. Ma-
O vinte e um.
Não, mas deixa lá. Deixa lá, ok? Se eu expulsar o do Vitória, você terá que expulsar o da Bahia.
É um cartão pra cada e acaba o jogo, Cláudio.
Não, mas tem que ser um amarelo.
Não precisa.
Tem que ser um amarelo. Eu vou dar um amarelo então, porque aí eu não sou cúmplice, ok? Vou dar amarelo que aí eu não me complico. Vem cá, vem cá”
Logo após a reprodução do áudio, Matheus Moreira Saleão, advogdo do Vitória, interferiu e questionou sobre a origem do mesmo:
“Presidente, pela ordem. Apenas fazer um questionamento quanto à prova apresentada pela procuradoria. Tenho quase certeza que essa página, O VAR brasileiro, é a mesma que foi envolvida no caso de áudio de VAR fake. Se não me engano, são um perfil de paródia”
Em resposta ao advogado do Rubro-Negro, o procurador que estava na sessão, Roberto Maldonado, admitiu que houve o problema e pediu que a prova fosse desconsiderada. Vale ressaltar que o procurador não foi o autor da denúncia nem o responsável por inserir o link da página nos autos.
“Observando o vídeo aqui, me surgiu essa dúvida também. Tem outro vídeo também. O que eu pedi para exibir foi o vídeo só do lance do atleta mostrando a camisa, mostrando a reação de outros atletas. Esse aí devia estar na denúncia, mas eu não tinha verificado esse vídeo. Então acredito, até para desconsiderar esse vídeo.”, afirmou.
O que aconteceu?
Tudo iniciou quando Jean Lucas marcou o gol que garantiu o triunfo ao Esquadrão aos 52 minutos da etapa final, tirando a camisa na comemoração e mostrando para os torcedores do Vitória. Em resposta, Marinho, Cacá e o goleiro Lucas Arcanjo foram tirar satisfação, mas o camisa 7 foi quem tirou a camisa das mãos do atleta do Tricolor, enquanto o zagueiro tentou rasgar o uniforme.
Pelo Vitória, o zagueiro Cacá e o atacante Marinho foram denunciados e enquadrados no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de condutas contrárias à disciplina ou à ética desportiva que não estejam previstas de maneira específica em outro artigo. Segundo o texto oficial, é infração “assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código”. A punição para atletas varia entre uma e seis partidas.

Raphael Claus, responsável pelo apito no clássico, registrou na súmula que Cacá recebeu cartão amarelo após tentar rasgar a camisa de Jean Lucas durante a confusão. Ainda conforme o árbitro, o atleta recebeu uma advertência por “atuar de maneira a mostrar desrespeito ao jogo”. Marinho também foi advertido com um cartão amarelo por chutar a bola na direção dos adversários, no momento em que os mesmos comemoravam o gol.
Por outro lado, Jean Lucas foi enquadrado no artigo 258-A do Código, que prevê punição para quem provoca o público durante alguma partida ou competição. Diferente do caso de Cacá, a pena prevista varia entre dois e seis jogos.
Não foram somente os jogadores, o Esporte Clube Bahia também foi denunciado pelo STJD. O clube responderá por atrasos no retorno ao campo após o intervalo. A denúncia aponta que houve um atraso de quatro minutos na volta do intervalo e mais um atraso de dois minutos para o início da segunda etapa.
Com o término do julgamento no STJD, o zagueiro Cacá, denunciado por tentar rasgar a camisa de Jean Lucas, recebeu como punição uma suspensão de dois jogos, enquanto recebeu apenas uma partida de suspensão, que foi converitda em advertência. Por outro lado, o meio-campista Jean Lucas foi absolvido.
Confira os resultados do julgamento:
- Cacá: Dois jogos de suspensão;
- Marinho: Um jogo de suspensão (convertido em advertência);
- Jean Lucas: Absolvido;
- EC Bahia: Multa no valor de R$ 2 mil.
