Em julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o advogado do Clube Atlético Mineiro, Rafael Libertuci, detonou Kaio Jorge, atacante do Cruzeiro, após lance forte que por pouco não resulta em tragédia durante o clássico disputado na última terça-feira pela Copa do Brasil.
Durante o julgamento no STJD, o advogado pediu uma punição ao atleta por entender que o ocorrido seria uma tentativa de homicídio, visto que o zagueiro Ruan Tressoldi deixou o estádio de ambulância e se dirigiu diretamente para o hospital.
O caso aconteceu no clássico disputado entre Cruzeiro e Atlético Mineiro na última terça-feira (25), no Estádio Mineirão. A partida terminou empatada no placar de 1 a 1 e os dois times definem o primeiro semifinalista da Copa do Brasil nesta terça-feira (01).
O que aconteceu?
A partida entre Cruzeiro e Atlético ficou marcada por uma jogada que poderia ter um resultado trágico praticamente em seu primeiro lance. Poucos momentos após a bola rolar, o zagueiro Ruan Tressoldi subiu para uma disputa de bola com o atacante adversário Kaio Jorge e levou a pior ao cair com o pescoço dobrado e diretamente no chão.

O defensor necessitou de atendimento médico, alegando sentir fortes dores na região do pescoço, mas permaneceu em campo até os 19 minutos, quando solicitou novamente o atendimento e foi convencido pelos profissionais a deixar o campo de jogo com antecedência. Por meio de uma nota oficial, o Galo informou nesta quarta-feira (26) que o atleta foi prontamente encaminhado ao hospital para a realização de exames. Confira o que disse o clube:
“O zagueiro Ruan realizou exames de imagem que não apontaram nenhuma lesão estrutural na coluna ou no crânio e recebeu alta hospitalar após a avaliação neurológica. O jogador seguirá o protocolo de concussão da CBF e permanecerá sob acompanhamento do departamento médico durante todo o período de observação.”
Apesar do susto, o atleta realizou exames após sair de ambulância ainda no intervalo da partida e as investigações não apontaram nenhum tipo de lesão estrutural na coluna ou no crânio e o atleta recebeu alta hospitalar na manhã do dia seguinte.
Segundo o regulamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, jogadores submetidos ao protocolo de concussão precisam ficar afastados por, no mínimo, cinco dias a partir da lesão na cabeça. O protocolo deixou o zagueiro fora da partida contra o Vitória pelo Brasileirão, onde o Galo entrou com uma equipe mista e venceu por 2 a 1, mas ele já estaria disponível para atuar diante do Cruzeiro. Com isso, fica a critério da comissão técnica e do Departamento Médico decidir se o atleta está apto para a partida ou não.
O próprio Renan Tressoldi apareceu em suas redes sociais após o incidente para falar sobre o assunto e tranquilizar os torcedores do Alvinegro. O zagueiro também aproveitou o momento para detonar Kaio Jorge, o outro nome envolvido na falta. Confira o que escreveu o atleta:
“A diferença é simples: de um lado, quem compete na bola; do outro, quem procura vantagem na deslealdade. No fim, caráter também entra em campo – esse placar não mente. E o histórico desse mal caráter também.
Graças a Deus fui encaminhado ao hospital, fiz exames e está tudo bem. Obrigado pela preocupação massa, familiares e amigos.
Agora é na nossa casa, diante da nossa torcida. Muito obrigado pela entrega do grupo e pelo resultado e pela festa da massa, como sempre.”
Não foi somente o jogador, Paulo Bracks, diretor executivo do Atlético Mineiro, também teceu duras críticas ao comportamento do atleta rival, classificando o caso como desleal e prometendo levar para o STJD:
“Ele tem previsão de alta e não teve nenhuma consequência pior. Foi maldade e deslealdade. Isso não vamos aceitar. Acima de tudo, é um colega de profissão. Não tem rivalidade. Não é a primeira vez que esse cidadão faz isso, nem a segunda. Para nós, ele foi maldoso, desleal. A gente poderia estar aqui, agora, falando de uma lesão grave na coluna. Para nós, houve uma falha da arbitragem, do VAR não ter chamado. O STJD precisa analisar se foi uma infração disciplinar. Para nós, é. Não vamos aceitar. É uma indignação grande. Não vamos aceitar isso”.
Julgamento no STJD
Durante o julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta segunda-feira (31), o advogado Rafael Libertuci detonou o atacante cruzeirense, cobrando uma punição severa por entender o lance como uma tentativa de homicídio. Rafael comentou inclusive sobre o histórico do atleta, afirmando que o atacante já tem uma série de irregularidades e que o STJD deveria ter uma postura mais rigorosa com o caso.
“É um caso muito grave. Poderíamos estar falando no banimento do Kaio Jorge, porque o Ruan Tressoldi poderia ter morrido. A gente não iria estar falando se iria pegar um ou dois jogos. Se ele continuaria a jogar ou não.
Chega, ninguém aguenta mais todo clássico esse sujeito vir fazer isso. Como ele não é assim? Ele pegou na mão machucada do nosso atleta, no jogo passado. A gente denunciou isso também. Como ele fez o gesto do roubo, ele fez uma transação. Ninguém aguenta mais o Kaio Jorge. Ninguém aguenta mais isso. Ele olhou para o Ruan Tressoldi e desferiu uma pancada sem olhar para a bola”.

De acordo com o GE, O STJD decidiu em suspender Kaio Jorge por uma partida, com pena convertida em advertência, com isso, o atacante está liberado para atuar no jogo de volta contra o próprio Atlético Mineiro. A partida será disputada nesta terça-feira (01), às 21h na Arena MRV, em Belo Horizonte. A partida de ida no Mineirão terminou com um empate por 1 a 1, em caso de um novo empate, a disputa será nas penalidades.
