O confronto entre Esporte Clube Vitória e Palmeiras tinha tudo para ser mais um jogo normal do Campeonato Brasileiro, mas se tornou mais um episódio de polêmicas envolvendo a arbitragem do Brasileirão. Apesar das discussões envolvendo as decisões tomadas pela equipe de arbitragem, o Palmeiras fez valer a vantagem em ter dois atletas a mais em campo e venceu um dos melhores mandantes do campeonato por 4 a 0 e embalou na liderança do campeonato.
O time paulista tem 47 pontos, oito a mais que o vice-líder Flamengo, que tem 39, mas um jogo a menos. Enquanto isso, o Vitória permaneceu na 13ª posição, com 29 pontos, mas viu a distância para a zona de rebaixamento diminuir, agora são quatro pontos de vantagem para o Grêmio.
A partida iniciou em um jogo equilibrado, com os dois times criando boas oportunidades e gerando uma expectativa de um grande duelo os minutos seguintes. O primeiro momento polêmico veio por volta dos 36 minutos, em um lance onde Maurício, do Palmeiras acerta com o cotovelo o rosto de Cacá, defensor do Vitória.

Apesar do zagueiro ter se machucado a ponto de precisar trocar sua camisa por conta de um sangramento, o árbitro manteve sua convicção e aplicou apenas cartão amarelo, sem interferência do Árbitro de Vídeo (VAR).

Não demorou muito e veio o segundo momento polêmico do confronto. Pouco antes dos 37 minutos, Cacá desarmou o atacante Jhon Árias com um carrinho em seu campo defensivo, o atleta palmeirense ficou caído e a arbitragem mandou seguir o jogo. Entretanto, o VAR achou necessária a intervenção e chamou Alex Gomes Stefano para revisar a jogada.
Já na cabine, o árbitro entendeu que houve um contato perigoso por Cacá deixar a perna esticada e acertar o atleta colombiano com força excessiva, assumindo o risco de causar uma lesão mais grave, aplicando o cartão vermelho para o defensor do Rubro-Negro baiano.
Inconformados com a decisão, os atletas do Vitória reclamaram bastante, mas em meio a toda essa confusão, o também zagueiro Luan Cândido foi flagrado fazendo um gesto referente a um suposto “roubo”, o que fez o juiz da partida ser convocado à cabine do VAR novamente para aplicar mais um cartão em menos de dois minutos.

Com dois a menos em campo, a partida ficou condicionada à vitória do Palmeiras. Apesar do Vitória conseguir segurar bem nos primeiros momentos, o alviverde abriu o placar aos 46 da primeira etapa com Maurício, que estava envolvido no primeiro lance com Cacá e ampliou aos 51 com um gol contra de Fabiano Souza.
Na saída para o intervalo, o capitão e um dos principais jogadores do time, Gabriel Baralhas falou sobre a situação:
“Primeiramente tenho que saber o que falar aqui. Quando estava 11 contra 11, o jogo estava equilibrado, muito bem disputado. O Maurício, mesmo que sem querer, abre o braço, pega no queixo do Cacá e sai sangue. E ele [árbitro] nem foi chamado para olhar. Já no lance do Cacá [entrada em Jhon Arias], pode ter pegado, mas foi de raspão, e ele tem a convicção de ir no VAR para olhar. Atrapalha o que a gente vem fazendo. Agora é fechar a casinha e não tomar mais gols.”
Nos 45 minutos finais, o Vitória até tentou diminuir o prejuízo, mas a equipe comandada por Abel Ferreira fechou o jogo com um gol de Jhon Árias e um belo gol de falta marcado pro Ramón Sosa.
Após o confronto, o presidente do clube, Fábio Mota fez um breve pronunciamento na sala de imprensa, externando sua clara indignação com a atuação da arbitragem e as polêmicas na partida.

“Ainda bem que o Brasil viu o jogo. O Cacá levou cinco pontos no queixo. Não foi por acaso. Não foi por ser intencional. O que os jogadores relataram foi que o árbitro disse que não foi intencional. Intencional ou não, foram cinco pontos no queixo. Isso desequilibrou a partida completamente. O Vitória estava fazendo um grande jogo, e houve o desequilíbrio por não ter expulsão pela agressão ao jogador Cacá.
Passamos por isso no passado com o Flamengo, estamos acostumados. Não quero vitimizar, mas é difícil fazer futebol no Nordeste. Você tem investimento menor, viaja mais e passa por esse tipo de coisa. É lamentável o que está acontecendo. Em protesto, não vamos fazer entrevista coletiva com jogador, não vamos ter zona mista. Vamos fazer uma representação. Parabéns aos envolvidos por tudo que aconteceu.”
Momentos após o pronunciamento do presidente na sala de imprensa, o Esporte Clube Vitória publicou em suas redes sociais um pronunciamento oficial, onde cita os lances do jogo:
“O Esporte Clube Vitória vem a público manifestar sua absoluta indignação e revolta com a atuação da equipe de arbitragem na partida deste domingo contra o Palmeiras, no Barradão, especialmente do árbitro de campo, Sr. Alex Gomes Stefano, e do árbitro de vídeo, Sr. Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira.
Aos 25 minutos do primeiro tempo, o atleta Maurício, do Palmeiras, desferiu uma cotovelada no queixo do zagueiro Cacá, em um lance claro de agressão. A gravidade da ação resultou em um corte que exigiu a aplicação de cinco pontos em nosso atleta. Ainda assim, mesmo diante da evidência do lance, a arbitragem optou por não expulsar o atleta, além disso, o árbitro de vídeo não recomendou a revisão do lance. Tal decisão da arbitragem teve impacto direto no andamento da partida e em seus desdobramentos.
Diante da gravidade dos acontecimentos, o Esporte Clube Vitória informa que formalizará representação junto à Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O Esporte Clube Vitória seguirá defendendo seus interesses e os de sua torcida, exigindo respeito dentro e fora das quatro linhas.”
Também não faltaram protestos nas arquibancadas. Revoltados, torcedores do Vitória protestaram durante todo o restante da partida e após o apito final, com intensas vaias direcionadas à equipe de arbitragem e gritos de “é campeão” para o Palmeiras.
O treinador Abel Ferreira falou sobre as polêmicas, afirmando que o árbitro do jogo “seguiu as regras”:

“Há dúvidas? Tu tens dúvidas? Não há dúvidas, tu viste o mesmo que eu. Para mim, não há dúvida absolutamente nenhuma. Viram a perna dele, não viram? Pronto. Para mim, o árbitro só seguiu a regra, minha opinião, aceito que tu e teus colegas pensam diferente.
A outra. Conheces o histórico do Luan Cândido? Aquele gesto é claro, muito claro. O que o árbitro fez, seguiu as regras. É preciso coragem para seguir as regras.
Minhas opiniões sobre os lances todos. Sei que a situação do Mauricio é no limite, como falei, mas na minha opinião, se for perguntar uns dizem que sim, outros dizem que não. O árbitro e o VAR decidiram dar o amarelo. As outras acho que não há dúvidas nenhumas, só seguir as regras. Minha opinião, aceito quem pense diferente”
Comentaristas esportivos de diferentes programas analisaram as jogadas e chegaram a conclusões semelhantes, especialmente no primeiro lance que envolveu Maurício e Cacá. Para PC de Oliveira, comentarista de arbitragem do SporTV, o camisa 18 do Palmeiras deveria receber um cartão vermelho por assumir o risco. PC entende que mesmo sem tamanha intensidade e intenção, há o gatilho, o que coloca em risco a integridade física do atleta.
“Ele marca a falta. E ele nem cartão tinha aplicado. Só depois do diálogo com o assistente ele aplica o cartão amarelo. Repara como o Maurício olha, percebe a chegada de Cacá. É um momento além de proteção. Tem gatilho. O Maurício tem a intenção? Obviamente que não. Mas a regra não cita intenção. Para mim, ele percebe a posição do Cacá. É mais que uma ação de proteção. Tem um gatilho e acerta o rosto. Todos elementos para aplicação de cartão vermelho”, disse PC Oliveira.
Outros comentaristas de arbitragem também falaram sobre os lances do jogo, confira:
“Os dois cartões vermelhos foram corretos. No caso do Cacá, a expulsão não foi pela entrada. Como ele atinge o adversário apenas de raspão com a trava, eu aplicaria cartão amarelo. Ele foi expulso por impedir uma oportunidade clara de gol, porque falta impediu o Arias de prosseguir, já que ficaria só ele e o goleiro. A expulsão de Luan Cândido foi perfeita. Ele faz um gesto de roubo, não se justifica. Faltou o cartão vermelho para Maurício, que deixou o braço no adversário e atingiu uma região sensível, colocando em risco a integridade física do jogador.”, afirmou Ana Paula Oliveira.
“Se é vermelho para o Maurício, era vermelho para o Cacá. Se foi amarelo para o Maurício, era amarelo para o Cacá. E o árbitro resolvia a questão, por uma questão de rigor. Se ele não foi rigoroso com o Maurício, ele não deveria ter sido rigoroso com o Cacá.”, disse Luiz Carlos Júnior.
“O que eu questiono é a falta de critério. Rigor muito forte para um lado, e para o outro não tem rigor. Eu não acho que foi uma cotovelada do Maurício, mas também acho que a falta do Cacá é, no máximo, para cartão amarelo. Foram critérios diferentes. Arbitragem desastrosa.”, ressaltou Mauro César.
Na tarde desta quinta-feira (30), a Sociedade Esportiva Palmeiras compartilhou através das suas redes sociais uma nota oficial onde saiu em defesa da arbitragem e reafirmou sua luta contra “narrativas criadas” contra os árbitros e a equipe alviverde.
“Não é a primeira vez (e certamente não será a última) que, em nome da verdade, precisamos combater falsas narrativas criadas para pressionar ainda mais os profissionais de arbitragem nos jogos do Palmeiras e colocar em xeque uma vitória absolutamente legítima obtida dentro de campo por nossos atletas.
Vamos nos ater aos fatos ocorridos na partida de ontem, em Salvador. Note que o braço do meia Mauricio acertou o rosto do zagueiro Cacá, razão pela qual o camisa 18 do Palmeiras foi advertido com cartão amarelo. Não houve, contudo, força ou movimento adicional que justificasse uma recomendação do VAR para expulsão.
Foi diferente da entrada sofrida pelo atacante Arias que resultou na expulsão do zagueiro Cacá. Observe que o carrinho do atleta do Vitória atingiu com violência a perna do colombiano, colocando em risco sua integridade física. Se alguém tem dúvida sobre a intensidade da infração, veja como ficou a perna do nosso meia-atacante.
Mais imcompreensíveis, porém, são as reclamações sobre um possível pênalti não marcado para o Vitória no segundo tempo. O vídeo mostra que o meia Andreas Pereira nem sequer encostou no adversário, que claramente se atirou com o objetivo de simular uma falta que não aconteceu.
Debates e divergências são saudáveis em qualquer ambiente democrático, como o futebol. Há que se tomar cuidado, no entanto, quando opiniões distorcem os fatos e servem a interesses de terceiros.
A verdade incotestável é que o Palmeiras faz uma das melhores campanhas da história do Brasileirão na Era dos Pontos Corridos. Somos a equipe com mais gols marcados e menos gols sofridos na competição até o momento, o que comprova a competência do trabalho desenvolvido por nossos profissionais na atual temporada.
Sabemos que a nossa capacidade de competir em alto nível incomoda, mas seguimos firmes e focados em busca dos nossos objetivos. Avanti, Palestra.”
Na súmula, o árbitro Alex Gomes Stefano detalha cada momento crucial do jogo e explica as decisões tomadas para aplicação de cartões vermelhos e amarelos; Confira:
‘Dar uma entrada contra um adversário com uso de força excessiva na disputa da bola – Aos 37 minutos do primeiro tempo, expulsei com cartão vermelho direto, o atleta nº 25, Sr. Carlos de Menezes Júnior, por atingir a canela de seu adversário, atleta nº 11, com um carrinho, utilizando a sola de sua chuteira empregando força excessiva, caracterizando jogo brusco grave’.
‘Após a exibição do cartão vermelho, o atleta expulso retardou sua saída do campo de jogo, permanecendo por alguns instantes em seu interior e realizando diversos questionamento a decisão da equipe de arbitragem’.
‘Em ato contínuo, aos 39 minutos do primeiro tempo, expulsei com cartão vermelho direto o atleta nº 36, Sr. Luan Cândido de Almeida, por fazer gesto de roubo com ambas as mãos, insinuando roubo por parte da equipe de arbitragem, em protesto a expulsão do atleta nº 25. Após a exibição do cartão vermelho, o atleta nº 36, deixou o campo de jogo aplaudindo de forma irônica em direção a equipe de arbitragem’.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou na manhã desta quinta-feira (30) os áudios das conversas entre o Árbitro de Vídeo (VAR) e o árbitro Alex Gomes Stefano nas expulsões de Cacá e Luan Cândido; Veja:
O primeiro cartão vermelho foi aplicado aos 36 minutos da etapa inicial, no lance em que Cacá, ao desarmar John Árias, acerta a perna do atleta colombiano de raspão com as travas da chuteira.
“O atacante joga a bola e depois ele (Cacá) acerta. Pega na altura da perna, alto, vou recomendar revisão para cartão vermelho.
Alex, vou recomendar a revisão para cartão vermelho por jogo brusco grave. O jogador que vai dar o carrinho não acerta a bola e com as travas da chuteira acerta a panturrilha do adversário, com intensidade alta.”, disse Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira, comandante do Árbitro de Vídeo.
No lance envolvendo Luan Cândido, Stefano entendeu que o gesto foi nítido e expulsou o segundo jogador do Vitória:
“Alex, vou recomendar revisão para uma possível expulsão. Jogador faz gesto de roubo, número 36”, afirmou o VAR.
Já no lance da cotovelada de Maurício em Cacá, a conversa entre o VAR e o árbitro de campo não foi divulgada. Isso segue um padrão que a própria CBF tem de não publicar comunicações de lances que não acabam gerando consulta ao vídeo.
Ficha técnica (Vitória x Palmeiras):
Data e horário da partida: 29 de julho de 2026, às 21h30 (Brasília);
Local: Estádio Manoel Barradas, Salvador-BA;
Árbitro principal: Alex Gomes Stefano (RJ);
VAR: Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira (MG);
Cartões vermelhos: Cacá (VIT) e Luan Cândido (VIT);
Gols da partida: Maurício (PAL), Fabiano Souza (GC) (PAL), Jhon Árias (PAL) e Ramón Sosa (PAL);
Escalações das equipes:
Vitória: Lucas Arcanjo; Fabiano (Jamerson), Britez, Cacá, Luan Cândido e Ramon, Caique, Baralhas (Walace) e Martinez (Zé Vitor), Matheuzinho (Diego Tarzia) e Renê (Tomás Pochettino). Técnico: Jair Ventura.
Palmeiras: Carlos Miguel; Gustavo Gómez (José López), Murilo e Barboza (Lucas Evangelista); Allan, Marlon Freitas (Emiliano Martínez), Andreas Pereira e Piquerez; Mauricio (Khellven), Arias (Vitor Roque) e Sosa. Técnico: Abel Ferreira.
Estatísticas da partida
Equipes: Palmeiras – Vitória
Posse de Bola: 32% – 68%
Finalizações: 10 – 16
Finalizações no gol: 3 – 5
Defesas do goleiro: 2 – 3
Escanteios: 6 – 1
Faltas cometidas: 15 – 10
Cartões amarelos: 3 – 2
Cartões Vermelhos: 2 – 0

Confira os próximos jogos do Vitória:
- Athletico x Vitória – Copa do Brasil (03/08)
- Vitória x Athletico – Copa do Brasil (05/08)
- Flamengo x Vitória – Campeonato Brasileiro (09/08)
